O NASCIMENTO DE UMA DEMOCRACIA

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Data16 de abril a 30 de junho

LocalAssembleia da República
Andar Nobre
Entrada livre condicionada à capacidade dos espaços

OrganizaçãoAssembleia da República

Comissário: José Pacheco Pereira

“Nos 40 anos do 25 de Abril de 1974 muitas das comemorações vão-se centrar no que aconteceu nesse dia. As interpretações variam: golpe de estado, revolução, golpe de estado seguido de uma revolução, etc. Mas no dia 25 de Abril começou a nascer uma democracia. Foi um processo difícil, turbulento, com avanços e recuos, que durou muito mais do que alguns anos. Em bom rigor é um processo que continua em curso. Todos os dias.
O objectivo desta exposição (incluindo as fotografias de Miranda Castela, cartazes e outros objectos de propaganda política dos primeiros anos depois do 25 de Abril) é retratar o nascimento da democracia portuguesa: o direito e o exercício de vir à rua manifestar-se, o direito e o exercício de organizar-se, a passagem à legalidade dos partidos clandestinos e a génese de novos partidos, o direito de falar e escrever livremente.
Nenhum destes direitos foi concedido, todos foram conquistados. O que aconteceu no dia 25 de Abril com a acção do MFA foi de facto o “dia lustral”. O dia do começo. E a partir desse dia o nascimento de uma democracia fez-se na sociedade e com a sociedade, com os portugueses. Como se passa em todas as democracias é um processo essencialmente civil, e numa democracia que nasceu duma acção militar, para a sua construção são os civis que são fundamentais. Por isso, com a passagem do tempo há cada vez menos militares e cada vez mais civis, como é suposto.
A democracia faz-se com política em liberdade, instituições e representação com génese eleitoral, partidos, participação cívica numa miríade de organizações, discurso público e propaganda política. No nascimento da nossa democracia os sinais da sua pujança revelaram-se em todos  estes símbolos de uma nova iconografia, paisagem sonora e visual: cartazes, autocolantes, emblemas, faixas, panfletos, brochuras e livros, fotografias, imagens, filmes e sons.”

José Pacheco Pereira