Ruas:
Artéria inaugurada a 25 de Abril de 1999, ano em que se completaram 25 anos sobre o 25 de Abril de 1974. Na rotunda central do arruamento, que mede cerca de 100 metros de comprimento por 80 de largura, ergue-se uma estátua do escultor José Guimarães. Intitulada Lisboa, numa homenagem aos construtores da cidade, está pintada com as cores da bandeira portuguesa e encontra-se a ser restaurada no âmbito da celebração dos 40 anos da revolução.
Esta praça, aberta nos terrenos da antiga Fábrica de Material de Guerra, na freguesia de Marvila, recebeu a homenagem ao 25 de Abril por ocasião das comemorações do 25º aniversário da data, por sugestão da Vereadora Rita Magrinho então Presidente da Comissão Municipal de Toponímia (deliberação na sessão da Câmara de 14 de abril e publicado no edital de 22 de abril de 1999).
Álvaro Barreirinhas Cunhal (Coimbra/10.11.1913 – 13.06.2005/Lisboa) foi uma das figuras mais marcantes do século XX português. Eleito Secretário-geral do Partido Comunista Português em março de 1961, dedicou-se à luta pela causa dos trabalhadores, pela liberdade e democracia, pelas transformações revolucionárias de Abril e pela defesa de uma sociedade livre da exploração e da opressão.
Devido ao seu empenho e coragem no combate revolucionário ao regime fascista, foi forçado a viver vários anos na clandestinidade e sofreu a tortura e o isolamento nas cadeias do regime.
Após a queda da ditadura fascista em 25 de Abril de 1974, foi Ministro sem Pasta nos primeiros Governos Provisórios, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte, em 1975, e à Assembleia da República, nas eleições realizadas entre 1975 e 1987 e foi membro do Conselho de Estado de 1982 a 1992.
Álvaro Cunhal foi também um apaixonado pela criação artística. No plano da literatura, sob o pseudónimo Manuel Tiago, publicou, entre outras, as obras, “Até Amanhã, Camaradas” e “Cinco Dias; Cinco Noites”. Traduziu “Rei Lear”, de Shakespeare. Também se destacou no plano das artes plásticas, da reflexão teórica sobre a estética e a criação cultural, e do ensaio político e ideológico, sobre temas tão diversos como o aborto, a História de Portugal, ou a questão agrária.
Após moção do Gabinete dos Vereadores do PCP, da Câmara Municipal de Lisboa (aprovada na reunião de Câmara de 22 de junho de 2005), propondo a homenagem na toponímia da cidade a Álvaro Cunhal, a Comissão Municipal de Toponímia foi de parecer atribuir o seu nome à antiga Avenida 1, na freguesia do Lumiar, com o topónimo “Avenida Álvaro Cunhal” e a legenda “Político 1913-2005”. A atribuição foi oficializada pelo edital 92/2005, pelo qual foram de igual modo homenageados Eugénio de Andrade, Carlos Paredes e Vasco Gonçalves. Posteriormente por edital de 20/2009, a legenda foi alterada para “Secretário-Geral do Partido Comunista Português 1913-2005”.
Lisboa guarda a memória do escritor Alves Redol, autor de Gaibéus (1939) o 1º romance neorrealista português, desde dezembro de 1974, em resultado do 1º Edital de toponímia da edilidade após o 25 de Abril (Edital nº 161/1974 de 30/12/1974).
António Alves Redol (Vila Franca de Xira, 1911– Lisboa, 1969) terminou o curso comercial e, atrás do balcão da loja de seu pai conheceu o mundo dos gaibéus, dos camponeses e dos pescadores da sua região, cenário que passou para a sua obra de escritor, onde percorreu com mestria géneros como a novela, conto, romance, teatro, literatura infantil e ensaio.
Como escritor empenhado na luta pela melhoria de vida das classes trabalhadoras Alves Redol também dedicou a sua vida a fazer oposição ao regime de Salazar. Nos anos trinta do século XX dedicou-se à luta antifascista clandestina e, na década seguinte, em 1945, integrou a 1ª Comissão Central do MUD – Movimento de Unidade Democrática, sendo também militante do Partido Comunista Português. Foi preso em 1944 e em 1963 e, participou nas várias campanhas da oposição democrática aquando da realização de «eleições» promovidas pelo regime.
Após o 25 de Abril de 1974, a Câmara Municipal de Lisboa mudou na toponímia da capital apenas 5 topónimos, atribuindo o seu nome à antiga Rua General Sinel de Cordes.
Bento Gonçalves (Montalegre, 1902) foi o 1º secretário-geral do Partido Comunista Português na década de 30 do século XX. Morreu aos 40 anos no campo de concentração do Tarrafal.
Operário do Arsenal da Marinha e sindicalista, foi o mentor ideológico da definição de uma estrita disciplina partidária e de cuidados conspirativos que, com os apoios logísticos necessários, se revelaram imprescindíveis para que o aparelho partidário pudesse resistir na clandestinidade sem perder a ligação às massas.
Junto com mais 140 presos políticos, Bento Gonçalves inaugurou o Campo de Concentração do Tarrafal em 1936, onde em papel de sacas de cimento redigiu Palavras Necessárias, com o subtítulo «A vida proletária em Portugal de 1872 a 1927», a primeira visão marxista-leninista da história do movimento operário português e, Duas Palavras, uma análise da obra do PCP em 1929. Desde a publicação do Edital de 24/09/1996 dá nome à Rua M2 do Bairro do Armador.
A Rua Capitão Henrique Galvão nasceu de um pedido da Junta de Freguesia do Alto do Pina à edilidade alfacinha no sentido de alterar o nome do arruamento designado por Bairro Municipal Presidente Carmona, o que se concretizou pelo Edital de 14/08/1975. Substituía-se, assim, o nome de um Presidente da República do Estado Novo por um militar que se celebrizou pelo assalto ao paquete Santa Maria, em 1961, uma forma de protesto contra a falta de liberdade cívica e política em Portugal.
Henrique Carlos Mata Galvão (Barreiro/04.02.1895 – 25.06.1970/São Paulo- Brasil seguiu a carreira militar, após concluir a Escola Politécnica. Como cadete apoiou Sidónio Pais participando no golpe de 28 de maio de 1926. Em 1927, participou no “Golpe dos Fifis” contra Sinel de Cordes e Carmona, tendo sido desterrado para Angola. Foi um adepto fervoroso da ditadura Salazarista, tendo até sido governador da Huíla (1929), primeiro diretor da Emissora Nacional de Radiodifusão (1934/35), responsável da secção colonial da Exposição do Mundo Português (em 1940) e deputado por Angola na Assembleia Nacional (1946-49).
Contudo, na década de 50 do séc. XX, Henrique Galvão começou a afastar-se de Salazar. Apoiou a candidatura presidencial de Quintão Meireles (1951) e conspirou numa presumida intentona contra a ditadura, a Intentona da Rua da Assunção, em 1952, pelo que foi preso pela PIDE e expulso do exército. Em 1959 exilou-se na Venezuela, publicando nesse ano Carta Aberta a Salazar, uma apreciação invulgarmente sarcástica e poderosa sobre o ditador e o Estado Novo, que foi apreendida pela PIDE. Com outro exilado no Brasil, Humberto Delgado, começou a preparar, em 1961, a Operação Dulcineia: o assalto e ocupação do paquete português Santa Maria, na sequência da qual se viu obrigado a pedir asilo político ao Brasil. Ainda nesse ano, em Novembro, Galvão participou na Operação Vagô, em que foi desviado um avião da TAP, da linha Casablanca-Lisboa, que sobrevoou a baixa altitude as cidades de Lisboa, Barreiro, Évora e Faro, lançando panfletos de propaganda da oposição.
Henrique Galvão foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo (1934) e, postumamente, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1991).
A Rua dos Cravos de Abril nasceu no Bairro do Caramão da Ajuda, pelo Edital de 16/01/1995, na sequência de um pedido da Junta de Freguesia de Ajuda que desta forma queria homenagear o 25 de Abril de 1974. O topónimo veio substituir a denominação numérica – Rua 17 – dada pelo Edital de 02/04/1949 quando a Câmara Municipal de Lisboa era presidida por Álvaro Salvação Barreto, como na época
